top of page

"Foi desesperador. Vi umas 20 pessoas morrerem". Ricardo Felipe Rodrigues Lemos, 26 anos, trabalhava em um estacionamento próximo à boate Kiss quando aconteceu o incêndio. Ele disse que escutou uma gritaria, mas viu que o incidente era grave quando três rapazes pediram socorro. Ricardo correu para ajudar os feridos, que saíam "desnorteados" da casa noturna, gritando por ajuda. "Fui socorrendo como podia. Joguei água em algumas das pessoas que saíram desesperadas, ajudei como pude até que as equipes de resgate chegassem", afirmou.

 

"Os paramédicos pediram pra eu tentar manter as pessoas acordadas. Eu falava: `cara, fala comigo! Olha pra mim! Fica comigo!`, mas foi desesperador. Vi umas 20 pessoas morrerem. Foi um negócio muito, muito triste", contou ele.

Sábado, 26 de Janeiro de 2013. Sentada na cama, preparando-se para a festa na boate Kiss. Luisa discou no telefone o número de sua melhor amiga que lhe atendeu imediatamente. 

    - Tudo bem Clara? – Indaga Luisa. 
    - Tô bem amiga, e você? – Responde com a voz pouco rouca. 
    - Estou legal. – Luisa vai direto ao assunto. – Vai à festa na Kiss hoje? 
    - Não, acredita que a minha mãe pediu pra eu ficar em casa? 
    - Por isso irá ficar? Por causa de uma intuição? 
    - Intuição de mãe Luisa e as delas sempre acontecem. Não se lembra de quando éramos crianças? 
    - Claro, ela disse para a gente não ir naquele “parquinho” e a montanha-russa caiu ao meio. 
     - Então, estou com medo que algo possa acontecer amiga. 

Domingo, 27 de janeiro de 2013. O fogo encandeou lentamente pelo o teto, poucos perceberam e esses saíram imediatamente de dentro da boate, até chamaram os amigos, tentaram alerta-los, mas ninguém os dava atenção. 

Os seguranças achavam que era inicio de briga, mas logo após perceberam o incêndio. 

O estudante Ezequiel Corte Real (23 anos) mal contou quantas vítimas que salvou daquela calamidade e muito menos se lembra dos seus rostos.

A casa noturna belíssima se tornou um mar negro, repleta de fumaça e pessoas correndo e gritando desesperadas. Uma pisando acima da outra, falecendo sem encontra a luz naquela escuridão. 

"Estou traumatizado. Vi vítimas com um lado do rosto derretido...” 

Fala Max Muller analista de sistema, 33 anos, filmou parte da tragédia. 

Ao lado de fora diversos corpos no chão, pessoas chorando outras vomitando e mal conseguiam respirar. 

Quarta, 30 de janeiro de 2013. Já era quase 8 horas da noite, a vítima do desastre de Santa Maria acaba recebendo a visita de sua melhor amiga e logo se abraçam. 

    - Eu devia ter escutado a sua mãe Clara. – Fala olhando para amiga sentada ao lado na cama, com os olhos marejando. 
    - Foi uma grande perda. 
    - O enterro do Gabriel vai ser este sábado. – Olha para o lado esquerdo, pouco entristecida.  
    - Imagino sua dor. 
    - Ao menos a gravidez está me confortando. – Revela. 
    - Você está grávida? – Indaga surpresa. 
    - Pouco mais de três semanas. 
    - Mas você não queria ter um filho agora lembra? 
    - Foi antes de o Gabriel falecer. Mas agora é diferente, essa criança poderá me ajudar. Não estou ligando se vou perder um ano da faculdade, posso retomar os estudos futuramente. 
    - Você sabe que pode contar comigo né Luisa? 
    - Sim, somos amigas desde pequenas. 

Sábado, 02 de fevereiro de 2013. A última flor fora jogada no caixão feito estritamente de mogno. A mulher tinha belos olhos azuis como o mar e chorava incontrolavelmente com a perda do namorado já depositado no solo frio.

Lembrou-se de quando o conheceu na faculdade, primeiros encontros, tudo ficara marcado em sua mente.

Domingo, 27 de Janeiro de 2013. Ao escutar o barulho das pessoas gritando desesperadas. Luisa não êxito e saiu disparada de dentro do banheiro, procurava pelo o namorado pela a multidão e logo se encontraram e tentaram buscar uma saída daquela pretidão. 

As pessoas corriam para sair pelas portas da frente esbarrando uma a outra. A moça perdia a respiração e acaba esmaecendo, caindo no chão segurando os braços do namorado que a beija e tenta lhe desperta do entorpecimento, mas pouco reagia. 

    - Alguém me ajuda! – Haverá milhares de pessoas no local, gritando desesperadas, mas este momento todos perdiam o “juízo arbitrário”.– Luisa! Por favor, acorde! Não tem como lhe tirar daqui do chão sem a ajuda de alguém. Me Deus! Mande uma luz! 

Capítulo dedicado a todos os leitores da trama :) 

Capítulo 4 

bottom of page